Doom: The Dark Ages voltou aos holofotes após o ex-produtor Andrew Willis revelar a maratona de trabalho que marcou a produção do DLC Revelations.
Segundo o veterano, a expansão de quase dez horas precisou ficar pronta em apenas quatro meses, exigindo jornadas que chegavam a 17 h por dia.
A revelação reacende o debate sobre crunch em Doom: The Dark Ages e reforça como prazos cada vez mais curtos impactam equipes de desenvolvimento mundo afora.
Willis descreveu dois meses seguidos de, no mínimo, 12 h diárias, sem tempo para ver o filho em alguns dias, tudo para manter o nível de qualidade esperado pela id Software.
Prazos apertados: quatro anos para o jogo base, quatro meses para a expansão
Doom: The Dark Ages, lançado em maio de 2025, levou cerca de quatro anos para ser concluído. Em contraste, Revelations — que adiciona campanha de até dez horas — recebeu janela de apenas um semestre, sendo efetivamente produzida em três a quatro meses.
O ex-produtor afirma que o termo “crunch” não era usado oficialmente dentro do estúdio, mas as metas tornavam impossível evitar a sobrecarga. “Houve dias em que trabalhei 17 h”, contou Willis ao Insider Gaming.
Comparação de escala
Para ilustrar o desafio, basta lembrar que um DLC médio costuma levar de seis meses a um ano, dependendo do escopo. Revelations precisou entregar novos mapas, armas e mecânicas em quase metade desse tempo.
Expectativa do público acelera o ciclo de produção
Embora fatores corporativos, como acionistas e metas de faturamento, pressionem estúdios, Willis aponta também o comportamento da audiência: muitos jogadores terminam a campanha principal em um fim de semana e partem para o próximo lançamento.
Esse consumo rápido cria incentivo para lançar conteúdos adicionais no primeiro ano, mantendo o título relevante nas redes sociais e lojas digitais. O resultado? Mais crunch em Doom: The Dark Ages e em diversos projetos AAA.
Influência do Game Pass
Doom: The Dark Ages chegou ao Xbox Game Pass e, segundo analistas de mercado, alcançou base maior de usuários. No entanto, a assinatura não converte necessariamente em vendas plenas, gerando pressão extra para monetizar por meio de DLC.
Imagem: Internet
Modelo live service intensifica o problema
Cultura de crunch não surgiu com jogos como serviço, mas se agravou com roadmaps anuais, eventos sazonais e atualizações constantes. Manter o jogador engajado exige novos itens, balanceamentos e histórias em ritmo acelerado.
Com sinais de fadiga entre os próprios jogadores — caso do reboot de Horizon Hunters Gathering após testes negativos — alguns estúdios reavaliam essa estratégia. Ainda assim, o impacto já está feito e o crunch em Doom: The Dark Ages evidencia isso.
Exemplos de desenvolvimento sem pressa
Phantom Liberty, de Cyberpunk 2077, chegou quase três anos após o lançamento original e foi amplamente elogiado. The Witcher 3 receberá novo conteúdo 11 anos depois, mostrando que intervalos maiores podem resultar em produtos mais polidos.
Relato de Willis expõe o lado humano por trás dos gráficos impressionantes
O produtor lembra que, durante as semanas mais críticas, abriu mão de momentos em família. “Houve dias em que não vi meu filho”, disse. Ele e colegas veteranos consideram esse um dos piores períodos de crunch da carreira.
A fala reforça como a qualidade final muitas vezes depende de sacrifícios pessoais dos desenvolvedores, prática que a indústria tenta — mas ainda falha — em minimizar.
RPGNoticias e a cobertura contínua
O RPGNoticias seguirá acompanhando discussões sobre condições de trabalho em grandes estúdios, destacando relatos como o de Willis para que práticas saudáveis ganhem espaço no setor.
Jogador também se beneficia de prazos mais longos
Produtos apressados tendem a chegar com bugs, falhas de desempenho e conteúdo raso. Ao permitir ciclos de produção maiores, as empresas entregam experiências mais robustas e evitam o burnout de suas equipes.
O próprio Willis concluiu que adiar lançamentos pode ser a melhor solução para todos: estúdios preservam talentos, fãs recebem jogos mais sólidos e o tópico “crunch em Doom: The Dark Ages” deixa de ser recorrente no noticiário.
