O sétimo capítulo da quarta temporada de Star Trek: Strange New Worlds, intitulado Like Chronitons Through the Hourglass, surpreendeu ao transformar a USS Enterprise em um verdadeiro palco de novela. A atmosfera de luz suave, reviravoltas inverossímeis e paixões exageradas dominou a tela, dando aos fãs uma experiência diferente de tudo que a série já havia mostrado.
Para tornar a homenagem completa, o roteiro trouxe dois rostos muito conhecidos do público: a veterana Diedre Hall, ícone das novelas diurnas, e o comediante Rhys Darby, que retorna ao papel de Trelane. A combinação de talento dramático e humor afiado garantiu que o episódio caísse no gosto dos espectadores — e, de quebra, rendeu assunto para muita conversa nos bastidores de RPGNoticias.
Diedre Hall entra na Frota Estelar como a terapeuta Eleanor Chivers
Com meio século de carreira em Days of our Lives, Diedre Hall dispensa apresentações para quem acompanha novelas americanas. Em Strange New Worlds, a atriz interpreta a dra. Eleanor Chivers, psicóloga designada para acompanhar o capitão Christopher Pike. A personagem surge quando o oficial acorda sem memória e precisa de orientação para entender por que todos a bordo agem como se vivessem em um dramalhão.
A dra. Chivers é claramente inspirada em Marlena Evans, papel que consagrou Hall na TV. Ainda assim, o texto reserva à nova conselheira alguns detalhes que a diferenciam: ela trabalha em regime de plantão na Enterprise, algo que até então não existia na linha do tempo do século XXIII. Esse detalhe faz da personagem uma espécie de “retcon”, antecipando a figura do conselheiro de bordo que só se tornaria padrão na era de A Nova Geração.
Referências e curiosidades sobre a atriz
Antes de Days of our Lives, Diedre foi vista em The Young and the Restless, além de ter vivido a heroína Electra-Woman no programa infantil The Krofft Show. A atriz também participou de Our House, estrelou o telefilme autobiográfico Never Say Never: The Diedre Hall Story e fez ponta como ela mesma na série Hacks. Agora, sua presença em Star Trek reforça a conexão histórica entre a franquia e as estrelas da cultura pop.
Rhys Darby reprisa Trelane, agora revelado como parte do Q Continuum
Rhys Darby já havia roubado a cena na terceira temporada, mas volta ainda mais ousado em Like Chronitons Through the Hourglass. Seu Trelane transforma a nave em laboratório particular para um projeto escolar cósmico, obrigando Pike, Spock e companhia a encenarem todo tipo de clichê novelesco. Entre eles: amnésia repentina, filha perdida e até dublê maligno precisando doar o coração para o irmão gêmeo.
A presença de Darby faz o episódio transitar entre a comédia física e o humor verbal. Conhecido por Flight of the Conchords e Our Flag Means Death, o ator neozelandês já trabalhou com Taika Waititi em longas como What We Do in the Shadows. No universo geek, emprestou sua voz a produções como The Simpsons e Voltron: Legendary Defender, consolidando-se como queridinho dos fãs de cultura pop.
Evolução do “Squire of Gothos” para a era moderna
O personagem Trelane nasceu na série original de 1967, interpretado por William Campbell. Strange New Worlds atualiza a mitologia ao afirmar que ele é filho direto de Q, interpretado por John de Lancie em A Nova Geração. Com 8.021 anos, o jovem deus travesso finalmente consegue nota B- em seu trabalho sobre “as formigas humanas”, graças à performance dramática involuntária da tripulação.
Enredo do episódio mergulha fundo nos clichês de novela
Dirigido por Anna Dokoza e escrito por Dana Horgan ao lado de Bill Wolkoff, o capítulo adota iluminação difusa, closes demorados e trilha sentimental para simular a estética dos folhetins. Veja alguns dos destaques:
Imagem: Internet
- Amnésia de Pike, que o impede de lembrar até mesmo seu nome completo.
- Nyota Uhura acreditando ser filha perdida do capitão, com direito a abraço choroso nos corredores.
- Spock precisando do coração de seu gêmeo maligno para sobreviver, levantando dilemas morais.
- Dr. M’Benga diagnosticado com “loucura espacial”, termo propositalmente exagerado.
Cada situação dura o tempo suficiente para arrancar risos e, ao mesmo tempo, homenagear a tradição das novelas diurnas. Ao final, quando o “feitiço” de Trelane se desfaz, Pike finalmente aceita a ajuda da dra. Chivers para lidar com a dor de ter perdido Marie Batel e a filha Juliet em uma linha do tempo alternativa.
Importância de Like Chronitons Through the Hourglass para a franquia
Além de divertir, o episódio reforça a elasticidade criativa de Star Trek: Strange New Worlds. A série já visitou musicais, faroestes e agora se aventura no terreno das novelas, mantendo o espírito exploratório que sempre definiu a franquia. Ao introduzir a figura de uma conselheira no século XXIII, também pavimenta o caminho para eventuais citações em temporadas futuras.
Para o público, a oportunidade de ver Diedre Hall em um universo sci-fi e o retorno de Rhys Darby como um semideus criança cria uma ponte entre fãs de diferentes gêneros televisivos. A mistura só fortalece a proposta da série: experimentar formatos enquanto respeita o cânone — estratégia que vem rendendo bons frutos tanto na crítica quanto na audiência do Paramount+.
O que esperar de Trelane nos capítulos finais
Com a quarta temporada em andamento e a quinta já confirmada como a última, a curiosidade agora gira em torno de um possível retorno de Trelane. O episódio sugere que a Proctora responsável por avaliar o projeto do personagem pode ter mais planos para o jovem do Q Continuum. Caso ele apareça de novo, a produção terá a chance de explorar outras facetas metalinguísticas, algo que caiu no gosto dos espectadores.
Enquanto não há confirmação oficial, os fãs podem especular: será que veremos outra paródia de gênero, talvez um suspense noir ou um reality show intergaláctico? Se depender da criatividade mostrada até aqui, Star Trek: Strange New Worlds ainda tem cartas na manga para surpreender antes do desfecho definitivo.
Quando e onde assistir ao episódio
Like Chronitons Through the Hourglass já está disponível no catálogo do Paramount+ desde a última quinta-feira. Novos capítulos da quarta temporada chegam semanalmente à plataforma de streaming, sempre às quintas. Para quem deseja maratonar, as três primeiras temporadas continuam íntegras no serviço.
Vale lembrar que Star Trek: Strange New Worlds é exibida com classificação indicativa TV-PG, combinando ação, aventura e ficção científica em episódios autossuficientes. Caso queira embarcar sem compromisso, esse pode ser o ponto de entrada perfeito — sobretudo para quem aprecia uma boa dose de humor e referências pop.
