Os grandes estúdios parecem ter perdido o interesse nos jogos de tiro em primeira pessoa focados em campanha. Salvo exceções como Call of Duty e Doom, o gênero hoje é dominado por produções independentes, enquanto antigos lançamentos AA, que arriscavam fórmulas novas com orçamentos medianos, ficaram no limbo.
Neste cenário, algumas pérolas entregaram experiências impecáveis no momento do lançamento, mas não resistiram à passagem do tempo ou à chegada de sucessores mais chamativos. A lista a seguir destaca cinco jogos de tiro em primeira pessoa esquecidos que, em sua estreia, beiravam a perfeição.
Duke Nukem Advance mostrou que FPS portátil podia funcionar
Lançado em 2002 exclusivamente para Game Boy Advance, Duke Nukem Advance driblou limitações técnicas severas ao adotar um esquema de controle engenhoso: o botão R, combinado ao direcional, simulava o uso de dois analógicos. O resultado foi uma movimentação surpreendentemente fluida para o portátil.
Construído do zero, o título oferecia tudo que os fãs esperavam: fases extensas, demolição de cenários, keycards, mira automática generosa e, claro, a lendária espingarda de cano duplo. Apesar do hardware modesto, o jogo marcou a última aventura realmente elogiada do herói boca-sujas. Fora de seu contexto original, perde parte do charme, mas ainda serve como prova de que um bom design supera limitações.
Alien Breed 3D duelou com Doom no Amiga
Quando chegou aos computadores Amiga e ao console CD32, em 1995, Alien Breed 3D tinha uma missão ingrata: revigorar sistemas já descontinuados após a falência da Commodore. Mesmo assim, o estúdio Team17 entregou um FPS que não apenas rivalizava com Doom, como também exibia cenários mais intrincados e detalhados.
O jogo alcançou sucesso considerável na Europa, mas jamais desembarcou oficialmente na América do Norte ou no PC, fator determinante para seu apagão histórico. A sequência, excessivamente ambiciosa, acabou ofuscando a reputação do original. Ainda assim, quem busca jogos de tiro em primeira pessoa esquecidos encontrará aqui um capítulo essencial da era de 16/32 bits.
Red Steel 2 merecia um novo nome para escapar do passado
A Ubisoft apostou pesado no Wii em 2010, corrigindo todos os erros cometidos pelo primeiro Red Steel. O segundo jogo trocou o realismo sem graça por um estilo cel-shaded vibrante, ambientado em um Velho Oeste pós-apocalíptico. Combinando espada e revólver, a jogabilidade entregava duelos frenéticos que lembravam títulos de ação em terceira pessoa, mas com a imersão de um bom FPS.
Infelizmente, a má fama do antecessor contaminou a continuação, que acabou ignorada por muita gente. Fato é que Red Steel 2 demonstra como o controle por movimento, quando bem calibrado, pode elevar a experiência — basta ter um Wii (ou Wii U) ainda ligado na TV para comprovar.
Imagem: Internet
The Terminator: Future Shock antecipou avanços que Quake popularizou
Um ano antes de Quake revolucionar o mercado, a Bethesda lançou The Terminator: Future Shock, em 1995, oferecendo rotação livre com o mouse e cenários totalmente em 3D, incluindo inimigos modelados em polígonos completos. Ambientado na Los Angeles pós-apocalíptica da franquia cinematográfica, o jogo surpreendeu pelo nível de liberdade em mapas amplos.
Enquanto Doom e Duke Nukem 3D ainda trabalhavam com truques de perspectiva, Future Shock exibia tecnologia de ponta. Seu sucessor, Skynet, tentou repetir o feito no modo multiplayer, mas já competia com Quake. Caso o primeiro título tivesse nascido com partidas online, talvez a história dos FPS competitivos fosse diferente.
Peter Jackson’s King Kong elevou o padrão dos jogos baseados em filmes
Em plena era de adaptações duvidosas — meados de 2005 —, a Ubisoft arriscou remover totalmente a interface de Peter Jackson’s King Kong: The Official Game of the Movie. A decisão colocou o jogador diretamente na selva da Skull Island, reforçando elementos de sobrevivência que transmitiam vulnerabilidade aos personagens humanos.
A aventura ainda permitia alternar entre Jack Driscoll e o próprio Kong, ampliando a imersão cinematográfica. Mesmo elogiado, o game foi retirado das lojas digitais há anos, típica sina de títulos licenciados. Quem tiver um disco físico ou console antigo guardado encontra aqui um exemplo de como um jogo de tiro em primeira pessoa esquecido ainda pode surpreender.
Por que tantos FPS excelentes caíram no esquecimento?
O avanço tecnológico rápido, a falta de relançamentos oficiais e, em alguns casos, a decisão de manter exclusividade de plataforma contribuíram para que obras tão competentes sumissem do radar. Além disso, franquias maiores dominaram as prateleiras, empurrando essas experiências solo para nichos cada vez menores.
Para os leitores do RPGNoticias, vale a pena revisitar ou ao menos conhecer a trajetória desses cinco jogos de tiro em primeira pessoa esquecidos. Eles ajudam a entender a evolução do gênero e mostram que, em diferentes épocas e hardwares, sempre houve espaço para ideias ousadas.
