Nesta semana, fãs de cinema têm um ótimo motivo para revisitar — ou conhecer pela primeira vez — um dos faroestes mais ousados dos últimos anos. Bone Tomahawk, produção de 2015 estrelada por Kurt Russell, acaba de chegar ao serviço de streaming Tubi sem custo algum, apenas com anúncios.
Embora Tombstone seja o western mais lembrado da carreira de Russell, muitos críticos apontam Bone Tomahawk como a obra em que o ator alcança seu melhor desempenho no gênero. Agora que o longa está acessível de graça, o público pode comparar as duas produções e decidir qual delas merece o posto de “maior faroeste de Kurt Russell”.
Do set turbulento de Tombstone ao experimento brutal de Bone Tomahawk
Lançado em 1993, Tombstone passou por um processo de filmagem conturbado: o diretor Kevin Jarre foi demitido poucas semanas após o início das gravações, boa parte do material precisou ser descartada e, segundo relatos de bastidores, Kurt Russell assumiu a direção extraoficialmente em diversos dias de trabalho. Mesmo com o caos, o filme acabou aclamado, impulsionado pelo elenco que reuniu nomes como Val Kilmer, Sam Elliott e Michael Biehn.
Já Bone Tomahawk seguiu caminho bem diferente. Com orçamento inferior a 2 milhões de dólares, o roteirista e diretor S. Craig Zahler apostou em um ritmo deliberadamente lento para narrar a jornada de um xerife (Russell), um pistoleiro refinado (Matthew Fox), um delegado idoso (Richard Jenkins) e um marido determinado (Patrick Wilson) rumo a um território inóspito. O objetivo: resgatar uma professora sequestrada por uma tribo canibal.
Violência pontual, mas impactante
Ao contrário de Tombstone, repleto de tiroteios clássicos, Bone Tomahawk reserva a ação gráfica para o terço final. Quando a brutalidade surge, a câmera de Zahler não alivia, entregando cenas de canibalismo que fizeram muitos espectadores, inclusive veteranos do terror, desviarem o olhar. A intensidade dessas sequências rendeu ao filme lugar cativo em listas de “obras que ninguém esquece depois de assistir”.
Por que Bone Tomahawk desafia o trono de melhor faroeste de Kurt Russell
Chamar Bone Tomahawk de “melhor” que Tombstone é questão puramente subjetiva, mas há argumentos sólidos a favor da produção de 2015. Primeiro, trata-se de um híbrido raro: faroeste e terror poucas vezes se misturaram com tanta coerência. Segundo, o roteiro dá espaço para que Russell explore facetas diferentes de seu habitual pistoleiro confiante, exibindo vulnerabilidade e desgaste físico durante a longa travessia.
Além disso, a química entre o quarteto de protagonistas sustenta boa parte do longa. Diálogos espirituosos, silêncio desconfortável e pequenos conflitos internos mantêm o espectador envolvido mesmo quando nada de sangrento acontece em tela. Essa construção de tensão prova que Zahler domina o ritmo narrativo, prendendo a atenção até o clímax chocante.
Elogios de peso
Stephen King, mestre do horror literário, declarou publicamente admiração por Bone Tomahawk, reforçando o status cult conquistado ao longo dos anos. Entre fãs de westerns, o título costuma liderar rankings de melhores filmes que combinam o Velho Oeste a elementos de terror, superando produções como Ravenous e Vampiros de John Carpenter.
Disponibilidade gratuita impulsiona a redescoberta do filme
Com 132 minutos de duração, Bone Tomahawk exigia, até então, compra ou aluguel digital para ser visto no Brasil. A chegada ao catálogo do Tubi, que funciona por meio de anúncios, elimina essa barreira financeira e coloca a obra ao alcance de qualquer interessado. Para quem curte experimentar misturas de gênero, a oportunidade é valiosa.
Imagem: Internet
O movimento também beneficia o próprio serviço, que expande o acervo de títulos cultuados e potencializa a audiência. Quanto ao longa, a tendência é que o número de discussões em redes sociais aumente, reacendendo o debate sobre qual seria, afinal, o ápice da filmografia “western” de Kurt Russell.
Mesmo ano, dois faroestes de peso
Curiosamente, o ator participou de outro western em 2015: Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino. Embora o filme de Tarantino tenha orçamento bem maior e foco em diálogos incendiários, Bone Tomahawk oferece visão contrastante, mais contida e angustiante. Comparar as três obras — Tombstone, Os Oito Odiados e Bone Tomahawk — revela a versatilidade de Russell no Velho Oeste.
Fatos rápidos sobre Bone Tomahawk
• Título original: Bone Tomahawk
• Gêneros: faroeste, terror, aventura, suspense
• Lançamento: 23 de outubro de 2015
• Duração: 132 minutos
• Direção e roteiro: S. Craig Zahler
• Elenco principal: Kurt Russell, Patrick Wilson, Matthew Fox, Richard Jenkins
• Orçamento: menos de 2 milhões de dólares
Esses números ajudam a dimensionar o feito do projeto. Com recursos modestos, Zahler entregou fotografia robusta, diálogos marcantes e efeitos práticos suficientemente perturbadores para causar impacto duradouro.
Porque vale a conferida agora
Se você aprecia westerns tradicionais, Bone Tomahawk oferece paisagens áridas, cavalgadas e discussões morais típicas do gênero. Para fãs de horror, a terceira parte do filme traz cenas que se tornaram referência em debates sobre violência extrema no cinema contemporâneo. A mistura, rara e bem executada, justifica o interesse crescente ao longo dos últimos oito anos.
A chance ideal para decidir seu faroeste favorito de Kurt Russell
Com Tombstone consolidado como clássico e Bone Tomahawk ressurgindo gratuitamente, 2024 parece o momento perfeito para maratonar os dois títulos e tirar conclusões pessoais. Tombstone brilha pelo charme épico e frases de efeito; Bone Tomahawk, pela coragem de explorar territórios sombrios sem perder o espírito de aventura.
O RPGNoticias acompanhará de perto a repercussão dessa reestreia gratuita e trará outras novidades sobre streaming, cinema e cultura geek. Enquanto isso, prepare a pipoca, ajuste os nervos e mergulhe nesse faroeste de terror que, merecidamente, desafia a supremacia de Tombstone na carreira de Kurt Russell.
