Jogadores acostumados ao tradicional “gastar almas em atributos” podem se surpreender ao notar que alguns Soulslike RPGs resolveram chacoalhar a fórmula. Esses títulos mantêm o combate punitivo e a atmosfera sombria, mas mudam completamente a forma de crescer dentro do jogo.
Ao pular fora da zona de conforto trilhada pela FromSoftware, cada estúdio abaixo testou ideias próprias. Algumas deram muito certo, outras dividem opiniões; o ponto comum é oferecer ao público uma experiência diferente o bastante para merecer atenção.
O que, afinal, define um Soulslike RPG?
Para entrar nesta lista, o jogo precisa unir combate exigente, morte que cobra preço e progressão em estilo RPG, sem ser um “Souls-lite”. Com isso em mente, ficaram de fora produções da própria FromSoftware, consideradas o ponto de partida do gênero.
Nos exemplos escolhidos, a palavra-chave “Soulslike RPG” assume novo significado a cada mecânica de evolução apresentada. Vamos a elas.
Mortal Shell: evolução por arquétipos fixos
Em vez de investir pontos livres, Mortal Shell faz o jogador desbloquear “Shells”, cascas de guerreiros que funcionam como classes pré-definidas:
- Harros, o cavaleiro equilibrado;
- Tiel, o ágil esguio com vigor quase infinito;
- Eredrim, o tanque de poucos golpes;
- Solomon, o estudioso focado em Resolve;
- Hadern, que mistura uma habilidade de cada um (DLC).
Cada Shell traz valores fechados de Durabilidade, Stamina e Resolve. Para liberar vantagens passivas, o jogador gasta dois tipos de moeda ao conversar com Sester Genessa, revivendo memórias daquele guerreiro. Armas podem ser trocadas entre cascas, mas os atributos permanecem imutáveis, evitando o receio de “build errada”.
Chronos: Before the Ashes: envelhecer para crescer
Em Chronos: Before the Ashes, morrer significa envelhecer um ano. Começamos com 18 anos e podemos chegar aos 80. Essa passagem de tempo redefine prioridades de atributo:
Juventude (18-30)
Força e Agilidade sobem barato, resultando em golpes rápidos e esquivas eficientes, mas magia é fraca.
Meia-idade (40-50)
Habilidades arcanas despertam, permitindo buffs e dano mágico, enquanto atributos físicos se tornam caros.
Velhice (60-80)
Investir em magia vira o único caminho viável; corpo fica frágil, porém o poder elemental dispara.
A cada dez anos surgem novos traços ligados à fase de vida, obrigando o jogador a se adaptar caso morra repetidamente. É um Soulslike RPG que atrela a mortalidade diretamente ao desenvolvimento do herói.
Imagem: GameRant
Salt and Sanctuary: uma árvore colossal de habilidades
No 2D desenhado à mão de Salt and Sanctuary, Black Pearls destravam nós de uma árvore de habilidades que lembra Final Fantasy X ou Path of Exile. O ponto de partida varia com a classe inicial, influenciando rota e custo das futuras escolhas.
Cada nó concede bônus de atributo e abre caminho para nós de classe que liberam armas maiores ou magias avançadas. Misturar estilos é possível, porém caro: um mago que sonha em empunhar uma greatsword precisará gastar muitas Pérolas. Quem espalha pontos sem planejamento pode terminar a campanha com um build pouco eficiente, embora o jogo ofereça transmutação e farming para contornar erros.
The Surge: melhorias na carcaça tecnológica
The Surge abandona atributos tradicionais e foca no exoesqueleto. No Medbay, sucata vira Core Power, valor que define quantos implantes e peças de armadura podem ser equipados.
Quer mais vida? Instale um implante Vital Boost. Precisa de estamina extra ou até de aprimorar a interface? Existem chips específicos para isso. Como o espaço para 16 implantes é limitado, cada escolha pesa. Equipamentos são conquistados no campo de batalha: ao mirar e decepar o membro certo do inimigo, o jogador recebe justamente aquela peça de armadura ou arma, transformando cada combate em oportunidade de progresso.
Deathbound: progresso coletivo em tempo real
Em Deathbound, a evolução é pensada como trabalho em equipe. O personagem principal absorve até quatro “Essências” de guerreiros, podendo alternar entre eles instantaneamente durante a luta.
Em vez de subir nível individual, existe uma barra de vida compartilhada e um conjunto de upgrades universais. Cada Essência traz talentos próprios e, mais importante, ligações de sinergia baseadas em facção. O desafio está em combinar estilos que se complementem. Apesar de alguns desequilíbrios entre heróis, o sistema mostra como um Soulslike RPG pode privilegiar estratégia de grupo em vez de foco no indivíduo.
Por que esses sistemas merecem atenção?
Ao romper com o modelo consagrado por Dark Souls, os cinco projetos provam que ainda há espaço para criatividade dentro do subgênero. Para quem acompanha RPGNoticias e busca novas formas de sentir o perigo de cada combate, vale testar ao menos um deles e descobrir como a evolução do personagem pode mudar toda a dinâmica de jogo.
Seja vestindo diferentes cascas em Mortal Shell ou administrando chips em The Surge, cada Soulslike RPG citado oferece um lembrete: morrer pode até ser rotina, mas a maneira de ficar mais forte está longe de ser padronizada.
