Se você é fã de jogos desafiadores, provavelmente já zerou Dark Souls, Elden Ring e companhia. Porém, o universo dos Soulslike RPG vai muito além dos blockbusters da FromSoftware.
Entre lançamentos discretos e títulos antigos relançados, existem pérolas que quase ninguém experimentou. A seguir, o RPGNoticias destaca quatro games que merecem atenção imediata.
Severance: Blade of Darkness — o pioneiro que antecipou a fórmula Souls
Lançado em 2001 pelo estúdio espanhol Rebel Act Studios, Severance: Blade of Darkness é considerado por muitos o primeiro Soulslike RPG de fato, quase dez anos antes de Demon’s Souls. O jogo chegou inicialmente ao PC e, recentemente, ganhou versões atualizadas para PlayStation 5, Xbox Series e Steam.
O título apresenta uma barra de stamina que limita ações, combate focado em leitura de padrões e acertos precisos, além de design de fases interconectadas repletas de atalhos — elementos que mais tarde se tornariam marca registrada da franquia Dark Souls. A ambientação sombria e brutal reforça a impressão de que Severance estava à frente do seu tempo.
Por que vale revisitar
Quem topar encarar os visuais 3D do início dos anos 2000 encontrará mecânicas surpreendentemente modernas, armas com golpes especiais e chefes tão punitivos quanto memoráveis. A versão atual conta com suporte a resoluções altas e controles refinados, facilitando o acesso a novos jogadores.
AI Limit — level design vertical em um anime Soulslike
Desenvolvido pela chinesa Sense Games, AI Limit chegou em 27 de março para PC e PlayStation 5, mas acabou ofuscado pela estreia de The First Berserker: Khazan no mesmo dia. Apesar da recepção tímida, o jogo se destaca pelo cenário principal, Havenswell: uma megastrutura decadente que convida à exploração vertical e cheia de segredos.
A principal inovação é a ausência de barra de stamina tradicional. Em seu lugar, surge o Sync Rate, sistema que oscila conforme o desempenho do jogador: a 100 %, o protagonista vira uma máquina; a 0 %, torna-se frágil. Essa dinâmica cria um ritmo próprio para cada confronto, complementado por um arsenal variado de armas e feitiços.
Exploração recompensadora
AI Limit entende que um Soulslike RPG não vive só de chefes colossais. Cada desvio, elevador escondido ou escada recolhida leva a atalhos e itens raros, lembrando a sensação de descoberta típica de Dark Souls. O resultado é um game que prende tanto pela curiosidade quanto pelo combate.
Asterigos: Curse of the Stars — a face colorida dos Soulslite
Produzido pelo estúdio taiwanês Acme Gamestudio, Asterigos: Curse of the Stars está disponível para PlayStation, Xbox e PC. Embora adote estética vibrante inspirada na Grécia e na Roma antigas, trata-se de um Soulslite — subgênero mais acessível dentro da família Soulslike RPG.
A campanha se passa na cidade de Aphes, composta por distritos visualmente distintos, marcos reconhecíveis e múltiplos atalhos. A narrativa é mais direta do que o convencional no gênero, mas há missões opcionais e chefes extras para quem gosta de se aprofundar.
Imagem: Internet
Sistema de armas fixas, porém versátil
O jogo oferece seis armas permanentes — espada, martelo, bastão, adagas, lança e pulseiras mágicas — e permite equipar duas simultaneamente. Cada estilo tem árvore de habilidades própria, incentivando combinações criativas. Mesmo sem looting constante, o progresso mantém o combate fresco até o fim.
Asterigos peca no balanceamento e pode deixar o jogador poderoso cedo demais, mas costuma entrar em promoção por cerca de R$ 50 e entrega bom custo-benefício.
The Surge 2 — ficção científica na medida certa
Fechando a lista, The Surge 2, da alemã Deck13, é o único título um pouco mais conhecido, mas ainda subestimado. Lançado em 2019 para PC, PlayStation 4 e Xbox One, o game aprimora tudo que o original tentou, especialmente a ambientação futurista da cidade de Jericho.
A marca registrada é o sistema de desmembramento: cortar membros específicos dos inimigos garante o esquema de fabricação daquela peça de armadura, eliminando a aleatoriedade comum em Soulslike RPG. Isso faz cada luta ter significado duplo — sobrevivência e coleta de recursos.
Parry direcional que lembra Sekiro
Além dos contra-ataques tradicionais, o jogador pode aparar golpes vindos de qualquer direção, recurso que adiciona profundidade e recompensa precisão. Em termos de exploração, Jericho oferece áreas abertas conectadas por passagens escondidas, incentivando backtracking constante.
Muita gente torceu o nariz por causa do primeiro The Surge, mas a sequência supera o antecessor em ritmo, chefes e variedade de armas. Quem pegar em promoção dificilmente se arrependerá.
O que todos esses jogos têm em comum
Apesar de orçamentos menores e, em alguns casos, visual menos polido, os quatro títulos elevam diferentes aspectos da fórmula Souls — seja o design de fases de AI Limit, a ambientação old school de Severance, o colorido acessível de Asterigos ou a ficção científica visceral de The Surge 2.
Para qualquer fã de Soulslike RPG em busca de novos desafios, vale reservar espaço na backlog e descobrir por conta própria o que cada um oferece.
