Ver um número alto de pessoas jogando um game no Steam costuma ser sinal de sucesso imediato, certo? Nem sempre. Durante a Gamescom 2026, a Pocketpair explicou por que a tão falada contagem de jogadores no Steam pode criar expectativas equivocadas.
John Buckley, chefe de publicação de Palworld, disse que a “contagem simultânea” nem sempre revela a verdadeira popularidade de um título. A fala reacende o debate sobre contagem de jogadores no Steam e como interpretar esses dados no mercado de games.
O que significa “jogadores simultâneos”
Quando o SteamDB exibe que 1,2 milhão de pessoas estão jogando Counter-Strike 2, está mostrando apenas quem está logado naquele exato momento. Este valor é chamado de CCU (concurrent users). É um dado útil para jogos essencialmente online, como Warzone ou Fortnite, onde o engajamento minuto a minuto é crucial.
Porém, títulos focados em campanha solo, experiências co-op mais tranquilas ou jogos que exigem poucas sessões longas podem ter um público fiel que raramente aparece no pico de CCU. Nesse cenário, confiar exclusivamente na contagem de jogadores no Steam pode gerar análises rasas sobre desempenho.
Limitações para jogos single-player e co-op
Buckley citou diretamente Palworld, que mistura exploração solo e cooperação casual. Muita gente entra para jogar uma hora, sai e volta no dia seguinte. O resultado: picos simultâneos relativamente modestos, mas um volume diário expressivo.
Para ele, quem só olha o pico simultâneo perde a noção do alcance real. “Um game com 1.000 CCU pode ter 20 mil pessoas diferentes em um mesmo dia”, afirmou. Sem esse contexto, projetos independentes podem parecer menos saudáveis do que realmente são.
DAU: o dado que faltava
O executivo defende a publicação de DAU (daily active users), que contabiliza quantas contas únicas acessam o jogo a cada 24 horas. Segundo ele, a discrepância entre CCU e DAU em muitos títulos surpreenderia o público.
Ao adotar DAU, desenvolvedores capturam melhor o comportamento de quem joga em sessões curtas após o trabalho ou a escola. Isso se alinha com a forma como parte do público consome jogos hoje em dia, alternando entre vários títulos ao longo da semana.
Imagem: Internet
O risco de inflar números com recompensas diárias
Contudo, Buckley reconhece que DAU também tem armadilhas. Games que distribuem bônus de login diário, comuns em serviços ao estilo gacha, podem inflar artificialmente os acessos. Portanto, nenhum indicador isolado é perfeito.
Steam não reflete outras plataformas
Outro ponto crítico: a contagem de jogadores no Steam ignora quem joga no Xbox, PlayStation, Switch ou até em outras lojas de PC, como Epic Games Store e GOG. Se um jogo como Starfield atrai multidões pelo Game Pass, os gráficos do Steam não capturam esse contingente.
Exemplo citado nos bastidores da feira: NBA 2K26 registra pico histórico de 52.863 jogadores simultâneos no SteamDB. Parece pouco quando pensamos na base gigantesca nos consoles, principal público da franquia. Sem considerar múltiplas plataformas, qualquer conclusão fica incompleta.
Usando dados de forma equilibrada
Então, vale descartar de vez o CCU? Nada disso. Para games com presença forte no PC, como Palworld, acompanhar os picos do Steam continua relevante. Oscilações bruscas podem sinalizar bugs, atualizações mal recebidas ou novidades que trouxeram o público de volta.
O ideal, diz Buckley, é combinar métricas: CCU, DAU, receita gerada, avaliações de usuários e engajamento em redes sociais. Olhar apenas um número favorece narrativas superficiais, sejam elas para exaltar ou atacar determinado jogo.
No fim das contas, a discussão mostra que o mercado precisa de um olhar mais amplo sobre desempenho. Em RPGNoticias, acompanharemos de perto como outras empresas reagem à proposta de divulgar DAU publicamente e se a adoção desse indicador pode se tornar tendência após a Gamescom 2026.
