Lançado em 1993, Tombstone se transformou em um dos faroestes modernos mais adorados pelo público, graças ao elenco estrelado e às cenas de ação no melhor estilo Velho Oeste.
Ainda assim, o ranking oficial do Letterboxd — rede social voltada para cinéfilos — listou o longa apenas na 36ª posição entre os 100 melhores do gênero, fato que reacendeu discussões entre fãs e críticos.
Apesar de contar com Kurt Russell, Val Kilmer, Sam Elliott, Bill Paxton e outros nomes de peso, o filme recebeu média 3,9 (de 5) na plataforma. Para muitos, o lugar ocupado por Tombstone parece baixo diante de seu status cult e da influência que exerceu sobre produções posteriores.
Na sequência você confere como funciona o ranking, quais obras superaram o clássico e por que tanta gente considera essa colocação injusta.
Tombstone estaciona em 36º no ranking do Letterboxd
O Letterboxd compila seu Top 100 de faroestes com base na nota média dada pelos usuários. Para entrar na lista, cada título precisa de no mínimo 5 000 avaliações, o que reduz o peso de opiniões isoladas.
Atualizado em 29 de outubro de 2026, o levantamento colocou Tombstone em 36º, atrás de 35 produções que vão desde clássicos de John Ford até títulos contemporâneos de Quentin Tarantino. A pontuação 3,9 ficou empatada com alguns concorrentes, mas o desempate acabou jogando o longa de George P. Cosmatos para baixo.
Como funciona o sistema de notas
Na rede, cada usuário dá de 0,5 a 5 estrelas. A média resulta na posição final. O algoritmo também leva em conta o volume de notas, evitando que filmes pouco vistos apareçam alto na lista apenas por poucas avaliações muito positivas.
Os 35 faroestes que ficaram à frente
A seguir, os títulos que superaram Tombstone, acompanhados da nota média registrada:
- The Good, the Bad and the Ugly (1966) – 4,5
- Once Upon a Time in the West (1968) – 4,4
- Django Unchained (2012) – 4,3
- No Country for Old Men (2007) – 4,3
- The Treasure of the Sierra Madre (1948) – 4,3
- The Man Who Shot Liberty Valance (1962) – 4,3
- The New Land (1972) – 4,3
- For a Few Dollars More (1965) – 4,2
- Unforgiven (1992) – 4,2
- The Emigrants (1971) – 4,2
- Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969) – 4,2
- Rio Bravo (1959) – 4,2
- The Ox-Bow Incident (1943) – 4,2
- The Great Silence (1968) – 4,2
- McCabe & Mrs. Miller (1971) – 4,1
- My Darling Clementine (1946) – 4,1
- The Wild Bunch (1969) – 4,1
- Johnny Guitar (1954) – 4,1
- Hud (1963) – 4,1
- The Big Country (1958) – 4,0
- The Hateful Eight (2015) – 4,0
- The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (2007) – 4,0
- The Wind (1928) – 4,0
- El Infierno (2010) – 4,0
- Red River (1948) – 4,0
- The Gunfighter (1950) – 4,0
- High Noon (1952) – 4,0
- A Fistful of Dollars (1964) – 4,0
- The Rider (2017) – 4,0
- Stagecoach (1939) – 4,0
- Duck, You Sucker! (1971) – 4,0
- Bad Day at Black Rock (1955) – 3,9
- The Lusty Men (1952) – 3,9
- Dances with Wolves (1990) – 3,9
- The Searchers (1956) – 3,9
O que faz de Tombstone um faroeste tão querido
Mesmo não sendo o mais fiel historicamente, Tombstone acerta em cheio no que o público busca em um western: tiroteios eletrizantes, vilões carismáticos e uma amizade central inesquecível entre Wyatt Earp e Doc Holliday.
Val Kilmer rouba a cena como o tuberculoso Holliday, misturando humor cortante e vaidade aristocrática. Já Kurt Russell dá peso emocional a Earp, que tenta abandonar a violência, mas é arrastado de volta à ação quando a gangue Cowboys espalha o caos pela cidade.
Imagem: Internet
Elenco de peso faz diferença
Além da dupla principal, nomes como Sam Elliott, Bill Paxton, Michael Biehn, Powers Boothe e Stephen Lang entregam interpretações marcantes. O resultado é um desfile de personagens maiores que a vida, perfeitos para o clima operístico do roteiro.
Entre ação e amizade
A famosa troca de tiros no O.K. Corral oferece catarse, mas o que sustenta o interesse é a lealdade entre Earp e Holliday. Essa base afetiva garante que a violência nunca pareça vazia, tornando o filme altamente revisitado 30 anos depois.
Críticas mornas no lançamento, calor do público depois
Quando chegou aos cinemas norte-americanos em 25 de dezembro de 1993, Tombstone recebeu avaliações frias. No Rotten Tomatoes, mantém 76 % de aprovação crítica, enquanto o público marca 93 %. No Metacritic a nota é ainda mais discreta: 50 sobre 100.
Jornais da época reclamaram de clichês, extensão e falta de rigor histórico. Contudo, com o passar dos anos, espectadores abraçaram justamente esses elementos, que hoje definem a aura cult do longa.
Problemas nos bastidores ajudaram a moldar o resultado
O roteiro veio de Kevin Jarre, que inicialmente também dirigia o projeto. Atrasos no cronograma levaram ao seu afastamento, e George P. Cosmatos assumiu a cadeira de direção. Relatos apontam que Kurt Russell teria colaborado diretamente na condução de cenas, situação que explicaria a narrativa um tanto irregular.
Relevância contínua para o Velho Oeste no cinema
Trinta anos depois, Tombstone segue figurando em debates sobre os melhores faroestes contemporâneos. A mistura de ação, humor e personagens icônicos faz com que novos públicos descubram o longa em plataformas de streaming ou listas de recomendação.
Para o Letterboxd, a nota 3,9 talvez não conte toda a história. Nas redes sociais, a reação à posição 36 mostra que o filme ainda desperta paixões. Aqui no RPGNoticias, é impossível ignorar que uma simples fala “I’m your huckleberry” permanece tão citada quanto os duelos clássicos de Leone ou o revisionismo de Eastwood.
Seja qual for o veredito pessoal de cada cinéfilo, uma coisa ficou clara: a discussão sobre a verdadeira grandeza de Tombstone acabou virando parte de seu próprio mito.
