Depois de explorar vastas paisagens russas em Metro Exodus, a franquia pós-apocalíptica da 4A Games retorna às suas origens subterrâneas. Metro 2039, previsto para fevereiro de 2027, volta a Moscou com um protagonista inédito, mas sem abandonar as inovações que mantiveram a série viva fora dos túneis.
Nesta nova jornada, a munição de grau militar volta a funcionar como moeda nas estações, enquanto sistemas mais recentes — como o crafting e os mapas abertos — permanecem ativos. O estúdio ucraniano afirma que o objetivo não é nostalgia barata, mas sim equilibrar o que cada capítulo da saga trouxe de melhor.
Metro 2039 resgata a munição de grau militar como moeda
Um dos pontos mais comentados pelos fãs sempre foi a economia baseada em cartuchos de alta qualidade, presente em Metro 2033 e Last Light. Em Exodus, essa mecânica saiu de cena porque Artyom deixou as estações abastecidas do metrô e passou a depender de sucata para fabricar seus suprimentos. Agora, com o retorno a Moscou, a lógica da munição-dinheiro volta a fazer sentido.
O produtor executivo Jon Bloch explica que “é a moeda do Metro”, reforçando que o ambiente dita a mecânica, e não o contrário. O dilema de gastar balas valiosas em combate ou guardá-las para comprar filtros de ar e melhorias retornará, adicionando tensão aos corredores claustrofóbicos.
Por que a mecânica faz sentido novamente
Nos túneis reconstruídos, comunidades inteiras baseiam seu comércio nesses cartuchos pré-guerra. Como a equipe de desenvolvimento passou duas décadas explorando a história desse universo, Bloch ressalta que ignorar essa cultura ao revisitar Moscou seria desperdiçar material que já existe dentro da própria ficção.
Mistura de sistemas antigos e novos
A volta da munição-moeda não elimina as camadas introduzidas em Exodus. O sistema de crafting continua, permitindo transformar sucata em filtros, coquetéis Molotov ou remendos para a máscara de gás. Há também coleta de recursos diretamente de mutantes derrotados, novidade que reforça a gestão de inventário.
Em superfícies parcialmente abertas — semelhantes aos mapas do Volga e da Taiga —, o jogador tem liberdade para se desviar dos objetivos, arriscar rotas alternativas e, muitas vezes, ficar sem filtros por puro excesso de curiosidade. Quando desce de novo aos túneis, o clima volta a ser opressivo, lembrando a primeira fase da série, mas com a elasticidade oferecida pelos ambientes amplos.
Volta a Moscou e identidade da série
Durante conversa com RPGNoticias, Pawel Ulmer, codiretor criativo e líder de áudio, contou que a 4A Games observa o que outros títulos pós-apocalípticos fazem, mas prefere manter a “identidade única” construída desde 2010. Para ele, garantir que “Metro continue sendo Metro” é diferente de simplesmente imitar Metro 2033 com gráficos modernos.
Imagem: Internet
Ulmer destaca que a essência está no equilíbrio entre escassez de recursos, manutenção das armas, uso constante da máscara de gás e narrativa que provoca reflexões morais. Ao trazer de volta Moscou, o estúdio reencontra sociedades previamente estabelecidas, regras próprias e aquela sensação de que o mundo existia antes do jogador chegar.
O que permanece intocado para os fãs veteranos
Itens icônicos estão presentes: isqueiro, carregador manual de baterias, máscara de gás, bússola no pulso e o tradicional medidor de radiação. Bloch afirma que o time não pretende “punir quem esperou tanto” pela sequência, então equipamentos e mecânicas queridas foram mantidos e aprimorados.
A narrativa continuará oferecendo escolhas de peso, com consequências visíveis. A série sempre estimulou o jogador a questionar suas decisões, e Metro 2039 não abrirá mão desse DNA. Ainda não há detalhes sobre finais múltiplos, mas a 4A confirma que ações influenciam o desenrolar da trama.
Data de lançamento e demais detalhes
Metro 2039 chega em 4 de fevereiro de 2027 para PCs e consoles ainda não especificados, com classificação indicativa Mature 17+. O jogo é desenvolvido pela 4A Games e publicado pela Deep Silver, mesmo trio responsável por Metro 2033, Last Light e Exodus.
O estúdio promete unir “os melhores elementos de cada capítulo anterior”. Se cumprir, o novo título pode oferecer o terror sufocante dos túneis, a liberdade adquirida nas paisagens abertas e um sistema de recursos que obriga o jogador a pensar duas vezes antes de apertar o gatilho.
Com munição valendo ouro, crafting ativo e monstros que agora largam componentes, Metro 2039 busca sintetizar todas as fases da franquia e, ao mesmo tempo, apresentar algo fresco para novatos e veteranos. Resta saber se a viagem de volta para casa será tão marcante quanto a aventura a bordo da locomotiva Aurora.
