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    Arquivo X: por que o episódio “Fire” envelheceu mal após 33 anos

    Fabiene SouzaBy Fabiene Souzaagosto 28, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Quando Arquivo X estreou em 1993, a série logo se destacou pela química entre Fox Mulder e Dana Scully. Contudo, já no 12º capítulo, intitulado “Fire”, o roteirista Chris Carter resolveu separar a dupla para dar espaço a uma antiga paixão de Mulder.

    Três décadas depois, o episódio continua marcante por introduzir o primeiro “substituto” de Scully, mas também chama atenção pelos estereótipos britânicos que dominam cada cena, o que dificulta a revisita do público atual. A análise a seguir detalha os pontos altos e baixos dessa aventura incendiária.

    O enredo de “Fire” coloca Mulder longe de Scully

    Transmitido originalmente em 17 de dezembro de 1993, “Fire” leva Mulder a investigar uma série de incêndios misteriosos que vitimam membros do Parlamento britânico. A convocação vem de Phoebe Green, inspetora da Scotland Yard e antiga namorada do agente, que pede ajuda ao FBI depois que um político foge para Massachusetts com a família.

    Enquanto Mulder embarca no caso, Scully fica em segundo plano, gerando a primeira ruptura significativa da parceria que define Arquivo X. Para aumentar a tensão, o roteiro revela que Mulder sofre de piromania — medo de fogo —, fraqueza explorada por Phoebe para mantê-lo por perto. O vilão Cecil L’Ively, interpretado por Mark Sheppard, surge como um incendiário com habilidades quase sobrenaturais, capaz de se inflamar sem sofrer danos.

    Estereótipos britânicos que hoje soam exagerados

    A abertura do episódio, ambientada em Bosham, sul da Inglaterra, exibe um aristocrata elegante saindo de sua mansão, saudando jardineiros e usando guarda-chuva como bengala. A cena remete à estética “Mary Poppins” e define o tom de caricatura que se estende pelos 45 minutos seguintes.

    Além do sotaque carregado, expressões como “top of the morning to ya” e falas sobre “aristocracia” reforçam clichês. Até as crianças, vestidas de terno para brincar de futebol, soam como parte de um desfile de realeza. Em 1993, tais escolhas visuais podiam passar despercebidas; em 2024, tornam-se motivo de desconforto, já que reduzem a cultura britânica a um punhado de bordões.

    Impacto na recepção moderna

    Na era do streaming, quando novos fãs descobrem Arquivo X em maratonas, “Fire” costuma ser citado nos fóruns como episódio “datado”. A caracterização simplificada empobrece a narrativa e ofusca o suspense, pois quebra a imersão com humor involuntário.

    Scully mostra ciúmes sem perder profissionalismo

    Mesmo em segundo plano, Dana Scully ganha profundidade. O roteiro sugere seu primeiro lampejo de ciúme ao ver Mulder revivendo o passado com Phoebe. A médica observa tudo com olhos analíticos, sem cair em estereótipos de “mulher emotiva”. Essa nuance se tornaria recorrente e ajudaria a humanizar a personagem.

    Ao contrapor o autocontrole de Scully com a impulsividade de Mulder, “Fire” equilibra as falhas dos protagonistas. Mulder, domado pelo medo de fogo e pela antiga paixão, fracassa em impedir um incêndio inicial, chegando a sofrer um ataque de pânico crível. Só no clímax supera o trauma e salva as vítimas, provando resiliência que o define no restante da série.

    O antagonista incendiário e a ameaça constante

    Cecil L’Ively utiliza gasolina e possível pirocinese para provocar chamas, dificultando o trabalho dos investigadores. O personagem não volta a aparecer em temporadas posteriores, mas sua presença serve ao propósito: testar limites emocionais de Mulder e provocar tensão quase sem pausa.

    Arquivo X: por que o episódio “Fire” envelheceu mal após 33 anos - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    O confronto final acontece em uma mansão em Boston. Mulder enfrenta o pavor de frente, corre por corredores em chamas e resgata as crianças do parlamentar. A sequência, embora tecnicamente impressionante para a época, reforça o drama interno do agente.

    Legado dentro da primeira temporada

    Como episódio “monstro da semana”, “Fire” não afeta a mitologia alienígena de Arquivo X, mas contribui para o desenvolvimento da dupla central. A partir desse ponto, o público passou a enxergar Scully não apenas como parceira profissional, mas como pilar emocional de Mulder.

    Por que “Fire” continua relevante para fãs e críticos

    Mesmo com problemas de representação, “Fire” permanece estudo essencial da dinâmica Mulder-Scully. Foi a primeira vez que a série testou a hipótese de separar a dupla — fórmula que se repetiria, com resultados variados, nas temporadas 8 e 9, quando David Duchovny se afastou parcialmente do elenco.

    A trama também inaugurou o padrão de introduzir figuras que ameaçam ocupar o lugar de Scully. No futuro, Robert Patrick como John Doggett faria papel semelhante, mas sem sucesso absoluto entre espectadores. Esses paralelos ajudam a entender por que os fãs defendem que a “mágica” de Arquivo X depende da presença simultânea dos dois protagonistas.

    Como o episódio “Fire” se encaixa na maratona atual

    Para quem revisita a série no Star+ ou em mídia física, a recomendação é encarar “Fire” como registro de seu tempo. Vale observar o tratamento dado ao medo de Mulder, examinar a primeira centelha de ciúmes em Scully e notar como a produção simulou incêndios com recursos práticos, sem auxílio de CGI.

    Entretanto, modernizar a visão crítica é necessário. O excesso de caricaturas britânicas pode afastar novos espectadores, algo que redatores de hoje provavelmente evitariam. Ainda assim, o capítulo prova que Arquivo X sempre arriscou narrativas além da mitologia principal, elemento que mantém a série viva no imaginário pop.

    A equipe do site RPGNoticias continuará acompanhando revisões e maratonas nostálgicas, destacando o que envelheceu bem — e o que ficou preso nos anos 1990 — no universo de Chris Carter.

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    Fabiene Souza

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