Imagine tomar um comprimido e, em vez de ver cores diferentes, acordar no meio da Era do Gelo.
É exatamente essa premissa que faz de Synchronic um dos títulos de ficção científica mais inquietantes do catálogo da Netflix, entregando 96 minutos de pura tensão.
Lançado em 23 de outubro de 2020, o longa dirigido por Justin Benson e Aaron Moorhead rompe com a imagem glamourosa de máquinas do tempo e transforma cada salto temporal em um perigo imediato.
Da mesma dupla que hoje assina episódios de Loki e Moon Knight, o filme mistura dilemas sobre vício, destino e horror Lovecraftiano em uma narrativa enxuta que prende do início ao fim.
Como o filme Synchronic transforma viagens no tempo em puro pesadelo
A trama começa quando uma nova droga sintética, batizada de Synchronic, surge nas ruas de Nova Orleans. Diferente de qualquer entorpecente convencional, a substância age diretamente na glândula pineal e provoca um “curto-circuito” temporal: o usuário é projetado fisicamente para algum ponto aleatório do passado.
O problema? Não existe botão de retorno. Cada “viagem” vem acompanhada de um cronômetro invisível de sete minutos. Se, ao fim desse prazo, a pessoa não estiver exatamente no mesmo lugar de onde partiu, fica presa numa época que pode ser milênios distante da sua. E, como se não bastasse, as feridas sofridas lá atrás continuam sangrando no presente, reforçando o caráter brutal dessa experiência.
Regras letais em destaque
- Destino aleatório: o usuário não escolhe data nem local.
- Sete minutos de sobrevida: foi além de 20 pés do ponto de chegada? Adeus retorno.
- Dor real: cortes ou fraturas no passado permanecem ao regressar.
Esses limites claros impedem furos de roteiro e elevam a tensão a cada tentativa de resgate, algo que fãs de ficção científica costumam cobrar. O resultado é uma história fechada, mas aberta a discussões sobre paradoxos temporais.
Do deserto ao ritual macabro: cenários que ampliam o medo
Synchronic evita a pergunta clássica “para onde você iria se pudesse voltar no tempo?”. No lugar disso, força personagens a jogarem dados espaciais invisíveis. O filme mostra situações como:
• O calor escaldante do deserto do Saara.
• Campos de batalha históricos, repletos de soldados armados.
• Rituais de seitas misteriosas que, em poucos segundos, passam de curiosidade a ameaça de morte.
Essas ambientações rápidas, mas intensas, fazem o espectador sentir a urgência dos sete minutos. Cada cenário reforça que a viagem no tempo não é diversão; é sobrevivência.
Imagem: Internet
Conexões Lovecraftianas ampliam o universo de Benson e Moorhead
Quem acompanha a carreira da dupla já ouviu falar no chamado “Shitty-Carl Universe”, um mosaico de histórias independentes que compartilham elementos cósmicos e existenciais à la H. P. Lovecraft. Além do filme Synchronic, entram na lista Resolution, Spring, The Endless e Something in the Dirt. Todos transitam entre terror, drama e ficção científica, criando uma base cult fiel — e ansiosa por expansões.
Uma filmografia que vale maratona
Para quem conheceu o trabalho dos diretores somente em séries da Marvel, mergulhar nesses longas independentes revela a origem de muitos temas recorrentes: livre-arbítrio, amores impossíveis e forças além da compreensão humana.
Ordem sugerida para assistir:
- Resolution (2012)
- The Endless (2017)
- Spring (2014)
- Synchronic (2020)
- Something in the Dirt (2022)
Mesmo que cada filme funcione isoladamente, a graça está em pescar referências cruzadas, quase como easter eggs escondidos.
Elenco de peso em apenas 96 minutos
Anthony Mackie, conhecido pelo papel de Falcão no MCU, divide a cena com Jamie Dornan, de 50 Tons de Cinza. A química entre os dois sustenta o drama humano por trás do terror. Natasha Tina Liu, Katie Aselton e Bill Oberst Jr. completam o time, enquanto a fotografia de Aaron Moorhead enfatiza a sensação de deslocamento temporal, usando cores frias no presente e tons quase oníricos nas incursões ao passado.
FICHA TÉCNICA
- Título original: Synchronic
- Gêneros: Horror, Sci-Fi, Drama
- Duração: 96 minutos
- Lançamento: 23/10/2020
- Direção: Justin Benson e Aaron Moorhead
- Roteiro: Justin Benson
- Classificação indicativa: 18 anos
Onde assistir ao filme Synchronic agora
O longa está disponível no catálogo brasileiro da Netflix. Basta buscar pelo título ou acessar este link oficial. Caso ainda não tenha visto, prepare-se para 1h36 de suspense contínuo, perfeito para quem gosta de premissas ousadas e finais com pontas soltas o suficiente para gerar debate.
Aqui na RPGNoticias, a recomendação é simples: se a ideia de misturar viagem no tempo com terror psicológico te atrai, dê play em Synchronic e, depois, explore o restante dessa curiosa — e assustadora — mitologia criada por Benson e Moorhead.
